A exposição "terras indígenas"

ser índio

Viver de maneira despojada.
Pensem nisto: viver só com o necessário, dentro de uma “economia natural”, chamemos assim.
As aldeias têm seu espaço de-limitado, o nº de pessoas é mais comparável ao de famílias do que ao de cidades_
aliás, bem diferente das nossas cidades que tendem a crescer des-medidamente, ficando praticamente insustentáveis.
E viver em contato com a natureza não é tão fácil quanto pode parecer, se alimentar do que ela oferece, e nem sempre há fartura.
Ter o que é necessário_ e só.
Nada de supérfluos?

A gente está costumado a ver o supérfluo e não a perceber o essencial.
Nem conservantes, corantes artificiais, biscoitos industrializados, perfume francês, absorventes, ser índia não deve ser nada fácil,  … chocolate!?
Nada de comodismos, férias? Acho que não existem no calendário indígena.
Festas, rituais, normas, códigos de conduta, leis, …homens falam uma língua, mulheres outra, nisto somos parecidos!

O índio está na terra, e não o vemos? Assim parece que nós olhamos pouco para a terra, e pouco para o céu também, nos preocupamos com as ruas de asfalto, o trânsito, os carros/metro/ônibus/bicicleta/carrocinha/pé mesmo, o shopping, supermercado, trabalho, escola dos filhos, etc.. o meião a gente vê, mas não olhamos para tudo.
Se o olho estivesse no chão não iria pisar nele, ainda que fosse um desenho. Esta foi a segunda idéia para a exposição, fazer uma montagem com pó-de-pedra, duas linhas representando os rios Araguaia e Javaés, como enormes cobras de água. Bananal é uma ilha em forma de olho.
A primeira idéia foi colocar um celular dentro de uma garrafa, como que tivesse percorrido as águas e só então chegado a beira de uma das praias da nossa ilha, como no passado se colocavam mensagens dentro de garrafas, na esperança de fazer algum contato. E por fim, remetendo ao colar de boas vindas, seja entregue por índios, seja havaiano, seja história da França, agora é meu presente e obra para esta exposição.
E a obra é em parte virtual: no twitter @serindio, no facebook, e através deste blog.

Viver numa ilha alagada na estação das chuvas, ilha que em grande seca já chegou a desaparecer, é uma terra móvel.
É uma língua cheia de w, k e y, e sons e nomes que nem sempre têm significado; os Javaés, não há explicação para a palavra, será que no nosso idioma, também há palavras de origem desconhecida?
A Ilha do Bananal é a maior fluvial do mundo, 2 milhões de hectares, 20 mil km², no centro do Brasil, .....alguém conhece?

Ímpossível no mundo não fazer contato, se afastar ou impedir que o outro se aproxime, a evolução faz isto por si só, as coisas se misturam e se separam, você entende o outro e também se desentende, com ele e com si próprio, assim mudamos.
O brasileiro vê com bons olhas a mistura, seja na música que mescla diferentes ritmos, criando um novo ou dando cara nova ao que já existe; na fala, que aceita palavras estrangeiras com facilidade que não ocorre em outros idiomas; na mistura entre as raças em casamentos, é um povo intrinsecamente estrangeiro, mestiço e na religião, onde todo mundo é católico, sim, e mais alguma coisa, nem sempre revelada.
O Brasil é mesmo muito grande, e o brasileiro ainda não conhece o Brasil.

O Colar da Madona Tucunaré

A história de um colar

É na Pedra que o tempo fica registrado, onde se escreve a história da humanidade. O colar orna o colo, de homens e mulheres, a parte superior do nosso corpo. Fio, que além de ligar elementos entre si, laça e fecha, comunicação feita. Montar um colar de palavras: social, identificação, mágico religioso, útil, sentimental, uma corrente de pensamento. Cordão do francês cordon. Também do dicionário: Bras.Terras próximas que se estendem na mesma direção. Hoje em dia, chamamos de 'corredores' a ligação entre áreas, como as terras indígenas, que possibilitam contato, evitam o isolamento e permitem que animais percorrendo estes canais de ligação possam então sobreviver. O cordão umbilical que nos une a mãe. Colar de boas vindas, de contas, terços, joalheria, artesanato, colar de tramas políticas_ ou literárias. Representa o sagrado, que exposto em volta do pescoço marca a cabeça. Junta e compõe, combina o diferente e desenha algo novo. Pedras de um quebra-cabeça formando um conjunto único, mas que também consegue guardar cada individualidade, seja feito de gemas, madeira, conchas, sementes, cristal, vidro, cerâmica, penas, ou mesmo pedra. Pedaços de uma mesma pedra matriz, separados e então reunidos. A seda como fio condutor ata nós, desatando-nos. Madona nativa. Ao pé da letra um presente, cadeau, regalo. E também é o tempo, o tempo presente, estar presente. Mesmo sem ter sangue índio a nossa ancestralidade remonta a eles, índios do Brasil, o primeiro encontro, primeiros habitantes: na troca de presentes, estranhos fazendo contato. Num encontro de estranhos, presentes.


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O colar simboliza a partilha do dever e de conhecimentos entre as sucessivas gerações de Dirigentes, a transmissão do "fogo original" herdado de Baden-Powell. Na sua singeleza, é símbolo do desprezo pelas riquezas materiais e exemplo da forma como em pequenos nadas podemos encerrar as verdadeiras riquezas da humanidade. É ainda símbolo da nossa casa, a Natureza. O nosso orgulho não são medalhas nem diplomas, mas sim um bocado de madeira. (A Insígnia de Madeira surge no Movimento Escutista, 1919)
fonte: http://inkwebane.cne-escutismo.pt/Curiosidades/Sabiasque/AIns%C3%ADgniadeMadeira/tabid/273/Default.aspx


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Memorial dos Povos Indígenas
Eixo monumental Oeste – Praça do Buriti – Brasília

Durante a Semana dos Povos Indígenas

Data: de 19 a 26 de abril de 2010










terrasindigenas.blogspot.com

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terresindigenes.blogspot.com 



A proposta de participar desta exposição surgiu através de um e-mail repassado por uma amiga. Daí também repassei, e mais 7 pessoas se engajaram no projeto da Cláudia. Como parte do meu trabalho está em fazer divulgação na web, montei os blogs, em francês e português, e espero que ambos, estrangeiros e brasileiros, sintam-se a vontade para comentar.
Cris Flaksbaum, mar 2010



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A poesia do colar é justamente a simplicidade, a economia de meios, das cores por exemplo e reconhecer os traços indigenas nele. É bastante metafórico este trabalho, porque é como vejo na nossa sociedade brasiliera, da presença indígena que é em toda parte, mas é sutil, poucos vêem. Cláudia Camposs.